A onça-parda e a Serrinha do Paranoá
- Beto Seabra
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 horas
Beto Seabra - 07/04/26

Sempre que está acuada, a natureza reage. O aquecimento global não é apenas um alerta, mas um verdadeiro grito que vem do fundo das matas e das águas mandando o homem parar. Ou para, ou morreremos todos em poucas décadas com as mudanças climáticas que poderão entrar num ponto de não retorno nos próximos meses.
O alerta foi feito pelo cientista brasileiro Carlos Nobre, que faz parte do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e que dias atrás foi nomeado pelo Vaticano para compor um Conselho de Desenvolvimento Humano. Em entrevista Nobre foi enfático:
"Nós todos, cientistas amazônicos, já estamos dizendo com muita clareza que a Amazônia está na beira do ponto de não retorno".
Isso quer dizer que, se não forem tomadas medidas drásticas e imediatas para zerar o desmatamento da floresta amazônica, ela entrará em colapso e qualquer medida a partir de então será inócua.
E o início do fim da Amazônia será a primeira grande peça a ser derrubada no dominó que levará à extinção da raça humana sobre a face da Terra. É possível que baratas e outros insetos sobrevivam, mas os mamíferos com certeza desaparecerão em pouco tempo com as temperaturas altíssimas e a aniquilação do mundo vegetal que os alimenta.
Aqui em Brasília um belo exemplar da natureza selvagem deu seu último suspiro na noite desta segunda-feira (6). Uma onça-parda morreu atropelada em pleno Plano Piloto, quando passava pela via L4, a poucos quilômetros do centro da cidade. Se isso não for um alerta, não sei o que é.
A Capital da República é rica em vida silvestre. Temos muitos pássaros e as capivaras são vistas às dezenas nas margens do Lago Paranoá. Sem contar os saruês e os macaquinhos sempre vistos nas matas e parques da cidade. Mas uma onça é coisa muito rara, até nas florestas do Cerrado.
Semanas atrás o agora ex-governador Ibaneis Rocha anunciou que iria pôr à venda a Serrinha do Paranoá para saldar prejuízo de R$ 8 bilhões do BRB (segundo dados do próprio banco) causado pela compra de papéis podres do Banco Master. A Serrinha é uma das poucas áreas preservadas próximas à Brasília, e que possui nove córregos de onde provêm cerca de 40% da água limpa que chega ao Lago Paranoá. Permitir que a Serrinha seja loteada para virar condomínio de luxo seria colocar em risco todo o ecossistema do Distrito Federal.
Talvez não seja coincidência que uma onça-parda tenha aparecido dias atrás no Lago Norte, um bairro vizinho à Serrinha, e que dias depois também uma onça-parda, quem sabe a mesma, tenha sido morta por um motorista que trafegava em uma via próxima ao Lago Paranoá.
Em apenas seis anos (2019-2024) o Cerrado, somente no Distrito Federal, perdeu 1.132 hectares, derrubados pelo agronegócio ou pela sanha imobiliária. Os dados são do MapBioma. O que foi desmatado de florestas no DF nesse período de governo Ibaneis, sem contar 2025, cujos dados ainda não saíram, equivale a quase três vezes o tamanho do Parque da Cidade de Brasília.
É bastante provável que a onça-parda que morreu atropelada no Plano Piloto nesta semana vivesse naquele Cerrado que deixou de existir. O alerta está aí para quem quiser ver.




Triste perdermos animais deste porte...
Muito importante. Contudo, como o próprio texto alerta, não só a Serrinha do Paranoá, mas também outras áreas de proteção do DF e do país, que estão nas mãos dos sucessivos governos delinquentes. É preciso saber votar em 2026
Importante alerta. A Serrinha do Paranoá precisa ser preservada!
Precisamos acordar enquanto é tempo.
Texto excelente, cenário aterrador!